Da janela do avião, durante uma fuga mal planejada, assisto desilusões projetadas sobre muitas nuvens que bem exercem sobre mim o seu primordial dever de nublar. As partes da história que eu já escrevi se perdem em slides de memórias mal concatenadas e ganham mil anos. Paro em frente a vitrines onde os sonhos de uma vida costumavam alimentar a minha sede de consumo e constato que já não compraria nenhum desses. Arremesso barris de pólvora pra fora do meu barco furado e sigo remando. Caminho onde a conversão é proibida. Faço do cavalo do meu jeans uma ponte aérea e espero que ela me leve pra bem longe das coisas de que eu desisti. Saio da sala antes que o filme acabe e não consigo imaginar pra ele um fim melhor, do que aquele que eu não assisti.

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