É um tipo de frustração pouco estudada a minha. Parece que abandonei a noite ontem e já deixei de compreender a boemia renitente. Tampouco entendo se, se não for renitente, pode-se chamar de boemia, saca? É um tipo B de tristeza, de quem não queria abandonar a prática, talvez, mas não a compreende mais. De quem também não entende se é só uma fase ou se a fase já foi.
Logo, não se pode dizer boêmia. Convertida. Ex-boêmia. Oh! Dilema!
Aí fica essa falta incômoda de entendimento sobre os que viram noite após noite e chegam tortos, amnésicos, duvidosos da preservação de um ou outro senso derradeiro de moral, com muito pouco no bolso e trechos desconexos de conversas e de imagens na cabeça, dispostos a perder outro dia seguinte, cientes da retumbante ressaca que os aguarda no colchão ao lado de metilcolins, engovs, lisadores e do Carver na mesinha de cabeceira. Pela frente, duas ou três horas de um agitado apagão antes, é claro, da iminente hangover. Além do arrependimento por uma ou outra merda praticada ou proferida em momentos de raiva ou excitação etílica, que acompanha os dias seguintes.
Meu fígado nunca entendeu esse meu apetite por noite e deve estar exultante com essa nova e confusa fase - que nada tem de moralista - me defendo. Talvez eu seja apenas uma boêmia que nunca se graduou.
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faz mais de um mês que não sinto mais nada disso, só não consigo me livrar do carver na mesinha de cabeceira.
um beijo de outro fígado exultante!
O meu pode ser um fígado um pouco moralista de vez em quando, mas demagogo ele não é. E ele me diz que "se for pra beber com a Adri, eu compro o dia seguinte". Mal podemos esperar por essa ressaca. Aqui no litoral, o Carver também permanece. Beijo grande!
é verdade, temos um porre pendente e dane-se o resto!
Dane-se o resto!
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