ela abriu a porta com o pé direito, enquanto prendia os cabelos num coque. ela tem cara de musa do cinema mudo. com aquela boca miudinha e aqueles olhões e tudo. ela usa sapatos scarpin. se pronuncia scarpã, ou algo assim. com eles pisoteia paixões calculadas. ela sempre faz isso. esta informação não me imuniza. ela me mostrou que seus pulsos cicatrizaram outra vez. ela prometeu que nunca mais se cortaria. disse que sua obra está acabada. entalhada na pele branca. assustadoramente branca. assustadoramente entalhada. singular em sua beleza maculada. (...) então nós homenageamos a vida que sempre resistirá apesar da nossa presença destrutiva. os dias que brotam determinados no leste. nossa insignificância e nossa pouca vontade. a absoluta ausência de sentido, inclusive para o nosso drama. deitamos garrafas, sopramos nossas cinzas da janela e especulamos que tudo poderia ser diferente. menos hoje.

Wanessa Rudmer  – (9 de julho de 2012 17:36)  

tô trabalhando nisso, Adri. acho que agora que você vai me deixar, vai ser mais fácil, sabe como é a saudade...

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